Maratona musical encerra festival da Baía das Gatas 23 Agosto 2010 ” fonte asemana “

Depois da chuva que caiu no sábado e que impediu a realização do segundo dia do festival, a música voltou domingo à Baía das Gatas em plena luz do dia para colmatar o tempo perdido. A festa começou cedo, com muito sol e prolongou-se até a manhã desta segunda-feira. Uma tarde e noite inteira de muita música e animação, num autêntico “boie ku sol” e “boie ku lua” para encerrar em grande estilo a 26ª edição do maior da música nacional.

O primeiro grupo a actuar no sol da Baía das Gatas foi Nigaz d`Ponta. A banda de Fonte Filipe pôs o pouco público que estava na Baía ao rubro com o seu hip-hop de intervenção. Seguiu-se mais uma banda de São Vicente. Tucin Bedje e Pol Block fizeram uma apresentação desde reggae, cola sanjon, uma coreografia de casamento e as músicas de carnaval. Para fechar a primeira parte, Tropical Som, directamente de Monte Sossego, trouxe um repertório de zouk para a Baía.

Uma das maiores explosões de alegria e emoção foi reservada para a actuação de Noah Andrade. O artista mais jovem no palco da Baía, tem apenas 12 anos, cantou, tocou e encantou o público com a sua simplicidade em palco e com a sua mestria no dedilhar da guitarra.

Depois do menino prodígio, a casa ficou ainda mais bem composta e foi a vez dos Calcinha Preta levarem a Baía à loucura com o seu farró. Numa das actuações mais aguardadas e aplaudidas da tarde, a banda brasileira pôs a “galera” a tirar o pé do chão, num show de arrepiar e deixar saudades. De brinde, até ofereceu calcinhas pretas ao pessoal.

À noite a temperatura foi sempre a subir

Entretanto, caiu a noite e a maratona musical não parou. Nem um minuto de descanso, pois o tempo perdido não facilitava. Com isso, os Jam Band subiram ao palco já depois das oito da noite para prestar um tributo ao falecido Biús. O artista de São Vicente recebeu muitos aplausos na Baía, mesmo já não estando entre os vivos. “Biús ta ma nos”, ouvia-se dos artistas em palco.

A noite estava só a começar, a música era outra e a temperatura era sempre a subir. Os Ferro Gaita, uma presença assídua nos festivais nacionais, encantaram a Baía com o seu funaná, batuko e tabanka característicos. Seguiu-se Suzana Lubrano. A diva do zouk crioulo também fez furor na Baía com a sua sensualidade, charme e sedução em palco.

De artistas radicados na Holanda, Nelson Freitas, Dénis Graça e Grace Évora trouxeram mais música romântica para encantar corações antes das actuações da reggae woman Mo Kalamity e dos frenéticos e animados Buraka Som Sistema já de dia e com pouco público e muito vento na baía.

Terminou, assim, a 26ª edição do festival de música da Baía das Gatas. Apesar do susto com a chuva de sábado, a festa deixou saudades nos milhares de pessoas que passaram pelo recinto durante os dois dias. Pelo palco passaram vários estilos de música nacional e estrangeira, desde coladeira, funaná, zouk, forró, kuduro, reggae ao hip hop. Mesmo assim, a edição deste ano não conseguiu ultrapassar o sucesso do ano passado, para muitos considerado o melhor festival de sempre.

Ricardino Pedro

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