“Lancha Voadora”: Três empresas da Praia ligadas ao tráfico de mais de 1500 kg de cocaína

“Lancha Voadora”: Três empresas da Praia ligadas ao tráfico de mais de 1500 kg de cocaína

10 Outubro 2011

Ainda não se sabe quais são, mas há grandes empresas do ramo imobiliário sedeadas na cidade da Praia e uma distribuidora de automóveis envolvidas nos negócios da rede que fazia de Cabo Verde um dos armazéns de cocaína (mais de uma tonelada e meia) que tinha como destino a Europa. A rede, que seria encabeçada por uma cabo-verdiana emigrada na Holanda, foi desmantelada pela operação policial “Lancha Voadora”, num “djunta-mon” entre as autoridades holandesas e cabo-verdianas. Suspeita-se, inclusive, que um alto dirigente de uma das maiores instituições financeiras do país esteja enroscado nessa “meada”.

Trata-se da maior apreensão de droga realizada desde sempre em Cabo Verde: mais de uma tonelada e meia de cocaína vinda da Colômbia, 10 mil contos em dólares e euros, cinco viaturas topo de gama, uma lancha voadora (o nome deve-se à sua grande rapidez) e quatro metralhadoras, inclusive uma munida de silenciador. O saldo da operação “Lancha Voadora”, feita este fim-de-semana em três bairros da Cidade da Praia – Achada de Santo António, Palmarejo e Fazenda – pela Polícia Judiciária cabo-verdiana, resultou ainda na detenção de três indivíduos. Os suspeitos pertencem à mesma família, o que faz as autoridades desconfiarem de um clã familiar – Quirino, Paulo e o irmão deste – serão apresentados esta tarde ao Tribunal da Comarca da Praia.

Sabe-se ainda que três grandes empresas ligadas ao ramo imobiliário sedeadas na capital estão envolvidas em lavagem de capitais e tráfico de drogas. Uma distribuidora de automóveis recém-criada na Praia também está no rol dos suspeitos.

Ao que este diário on-line apurou, a droga fazia o trajecto Colômbia-Brasil, passando por Cabo Verde, rumo a Holanda e Alemanha. Há mais de seis meses a rede estava sob a mira da PJ, mas uma avaria numa das duas lanchas voadoras, que seria imediatamente queimada pelos seus donos, viria a precipitar os acontecimentos. A droga foi então levada para uma cave de um prédio com 40 apartamentos na Achada Santo António – onde funcionam os serviços da direcção do Ministério das Finanças – propriedade de uma emigrante na Holanda, suposta cabecilha do grupo.

A operação “Lancha Voadora” resulta de uma cooperação jurídica e policial entre os ministérios públicos de Cabo Verde e da Holanda. Frente ao sucesso deste “djunta-mon”, o próprio ministro de Justiça da Holanda já manifestou interesse em assinar um protocolo de cooperação com as autoridades cabo-verdianas para resolver casos do tipo, mas Cabo Verde ainda não respondeu a essa solicitação.

asemana

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