“INTEMPORAL MEMORIAL”

Amilcar Cabral Cely

INTEMPORAL MEMORIAL

Da neblina da negra página colonial
contra estranhos generais
como lamparina de catedral
ergue-se uma alma e mente geniais
Falo de Amílcar Cabral!
O simples africano à Guiné e ao arquipélago apegado
filho de um destroçado passado
irmão de um presente não menos acre
mas que por força do lembrado e vivido virou-se pai
de um futuro milagre
Falo de um Estado libertado e amado!
Quebrou a indulgência ao imposto jugo colonial
e, aos filhos das ilhas, com valentia
veia verde injetou
Aqui falo, da nossa referência nacional!
Aquele que desde novo pedra comeu
sangue transpirou
para beber leite materno
e que por esse fraterno desejo paterno
foi enviado ao descanso eterno.
Aqui falo do herói do povo
que nunca pode queimar-se no arquivo!
Homem cujo coração batia pelo bater da chuva
que negou o amém
aos manda-chuvas e impostores
elegendo as crianças como flores
de uma sábia revolução
Aqui falo de um humano homem!
Um Ser Estrela por ser
e brilhar quere-las ver
sobre os céus de Cabo verde, da Guiné, da ferida África
e de outros lares
ou causas similares
Alguém que para além desses atributos
que dão que pensar
teve uma visão do além!
Alguém que nos incutiu na cabeça
que devíamos pensar
com as nossas próprias cabeças
Aqui falo de um invejável historial!
Nobre Servo nacional, regional
e acervo para justiça internacional
que, pelo infernal vivido e patrimonial devolvido
digno é, Amílcar Cabral
de um condigno e intemporal memorial!
Um estudo de caso, digo eu
e a nação
nesta canção!

Celso Martins

 

Em memória de Amílcar Cabral 12 settembre 1924 – 20 gennaio 1973

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